Não é a escrita que é perfeita, o desencadeamento das ideias, a composição das frases e a inteligência semântica ao descrever cenas, gente e bichos, a facilidade com que sensações ganham contornos por substantivos, adjetivos e verbos. Nada disso. É o sentimento que move a linha do texto, que faz balançar a Olivetti Lettera 82 a cada toque, é o sentimento que toca a alma e transforma a mente. Se o sentimento for puro, real e verdadeiro, pleno em todos os aspectos, sincero e livre, pode se dizer que algo foi literário. O contrário é apenas arrogância, pura encheção de linguiça e de nada servirá. Já nasce letra morta.

Ramon Barbosa Franco